Maurício de Sousa, cartunista brasileiro, famoso e reconhecido por seus personagens da “Turma da Mônica”, “Turma do Chico Bento”, dentre vários outros, criou, recentemente, seu primeiro personagem gay, o Caio, que faz parte da “Turma da Tina”, um HQ voltado para um público mais adolescente.
Quem acompanha as historinhas criadas por Maurício de Sousa sabe que ele não é um mero cartunista. Eu, enquanto criança, tinha uma visão ingênua acerca dos HQ’s, mas quando você cresce e começa a entender o mundo, vê que o objetivo de Maurício vai muito mais além, começamos a analisar os personagens com um olhar mais clínico, um olhar que nos permite detectar resquícios de crítica social. Maurício já nos apresentou personagens que pertecem a classes sociais que sofrem, assim como os homossexuais, um certo preconceito, há personagens negros, índios, nipo-brasileiros, e na época das paraolímpiadas, Maurício criou Luca, um cadeirante, e Dorinha, uma deficiente visual.
Hoje, ele nos presenteia com o Caio, um gay, que representa apenas mais um personagem em meio a nossa enorme diversidade humana.
A maioria das pessoas pode nem ter se dado conta da importância deste personagem, mas ao criar um personagem gay para revistas voltadas ao público infantil e adolescente, Maurício de Sousa está desmistificando esse “mito” que causa tanta dúvida entre eles. Uma figura da nossa sociedade, vista como absurda por conservadores. Em vez de ouvirem falar dos gays como seres estranhos e pervertidos, as crianças terão a oportunidade de verificar, desde cedo, que ele é apenas mais um ser humano igual a qualquer outro.
Acredito plenamente que esta seja a intenção do cartunista: desmistifcar o homossexualismo, fazer com que esse assunto seja mais aceitável entre a sociedade.Preparar os jovens para compreenderem que ninguém deve ser excluido por ter outra opção sexual.
A notícia da criação, como já era de se esperar, causou repercussão na nossa sociedade. A mim, não foi nem o fato da invenção do personagem gay que me chamou atenção, mas sim o grande “reboliço social” que a notícia teve. Dividindo opiniões, mexendo com vários grupos sociais, e fazendo com que as pessoas levantassem a bandeira “A Favor” da homosexulidade ou “Contra” (revelando a hipocrisia e o preconceito ainda existente na sociedade brasileira).
Mas aí eu paro e pergunto a vocês: Ser a favor ou contra? Como assim? Isso não faz sentido nenhum. Alguém aqui é a favor ou contra a chuva? A opção sexual de cada indivíduo deve ser encarada de forma natural. É tão simples.
É importante enfatizar que homossexualidade não é doença, sendo assim, não pega por contágio. Homosexualidade não é moda, portanto, não será uma revista que irá influenciar alguém. E mais importante ainda, ser gay não é desvio de caráter, por isso, cada um deles merece respeito. Reduzir, rotular, discriminar alguém pelo que ele faz na cama é ridículo, além de ser um preconceito ” so last summer”.
Mas o que esperar de uma sociedade que “cresceu” lendo a Sagrada Bíblia, onde o homossexualismo é moralmente condenável e que condena a relação homossexual como um ato abominável, que clama aos céus por vingança?
“Não te deitarás com um homem como se fosse uma mulher. Isto é abominação… Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável. Devem ser mortos.
Seu sangue cairá sobre eles” (Lev. 18:22, 20:13).
[Piada pronta. Não necessita de comentários.]
Maurício de Sousa nos mostra que, apesar de seus setenta e tantos anos, tem uma mente muito mais aberta e evoluída que alguns nobres imbecis residentes neste mundo. No mais, seja bem-vindo, Caio, e ajude a nossa nova geração a ser mais tolerante com a diversidade humana.













