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Crendices x Ciência

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Estamos no século XXI, avanços científicos e tecnológicos cada vez mais rápidos. Algumas perguntas foram respondidas e outras continuam sem respostas. Então de onde vem tanta crendice e pseudociências a dominar as mentes das pessoas?

Uma das nossas necessidades é a alimentar a curiosidade, a lacuna que surgiu com o aflorar da consciência. “Por quê? Como?” são questões simples e estão presentes desde muito tempo, e teriam que ser respondidas de alguma forma mesmo que a resposta não fosse verdadeira, apenas satisfatória.

Quando uma invenção é útil, simples e facilmente dedutível ela pode aparecer em diversos povos, em diferentes épocas. Matemática, o fogo, agricultura, a roda, construção de estradas, barcos e uma série de outras coisas que foram descobertas por povos isolados no globo, mostram que a capacidade e criatividade do ser humano são distintas e tende a seguir certa trajetória.

Então a técnica usada para responder o desconhecido além do entendimento contemporâneo naquela época foi criar divindades com características humanas, mas com poderes supranaturais. Desse modo o homem poderia dormir em paz, sabendo que os deuses estavam presentes e manipulava o desconhecido. Assim jogamos a responsabilidade da questão aos Deuses, tudo que ficar aquém da compreensão é facilmente justificável por uma vontade divina.

Não desmereço ao conhecimento natural dos antigos, mas perceba que com o advento da ciência, da melhoria das ferramentas de compreensão naturais, algumas respostas ditas falaciosamente como vontade divina foram respondidas por uma perspectiva lógica e racional. As justificativas antigas foram questionadas e por muitas vezes desacreditadas, e com razão. A necessidade de justificar o desconhecido é ainda presente, somo seres curiosos e a necessidade de buscar respostas é o que fez nós progredirmos tanto.

Outro fator importante está presente no nosso desenvolvimento quando jovens. Por via de regras, os filhos têm confiança e acreditam nos pais ou nos mais velhos, com poucos questionamentos ou praticamente nenhum. É semelhante a um processo natural e simples:

Os pais dizem pro seu filho não ir pra certo lugar, pois lá existe um perigo mortal. Cabe ao filho acreditar ou não. Pode ser verdade ou mentira, então ele indaga o porquê do fato ou o aceita, mas provavelmente ele irá se questionar. Se os pais responderem com uma justificativa satisfatória ou o fato ser aceito pelo sujeito através da coerção, por meio de punição social ou física, a ideia do perigo é comprada. Então é elaborada uma associação do fato com algum sentimento (medo, por exemplo), assim o objeto poderá causar algo sem necessariamente existir. E isso é bastante útil para a sobrevivência, se todos fossem curiosos demais para terem que experimentar algo para ter certeza que esse algo é danoso, a raça humana não teria sobrevivido muito tempo. Logo, com o passar do tempo, pessoas com a capacidade de “comprar ideias”, quando jovem, dos mais velhos teriam mais chances de viver. Acredite, na pré-história a vida não era nada fácil. Outro fato que pode ajudar a esclarecer isso se dá ao oposto: “pessoas mais velhas têm mais relutância em aceitar novas ideias, principalmente as que contradizem a ideia anterior”. Se quando jovens temos que aprender a sobreviver a fim de reproduzir, quando se está velho é comum a pessoa já ter se reproduzido, e ao passo que, se ela sobreviveu tanto tempo é porque sua ideia original era útil e permitiu isso. Assemelha-se a: “time que esta ganhando não se muda”. Se a ideia o fez sobreviver por tanto tempo, mudar de mentalidade causaria, estatisticamente, mais prejuízos que benefícios.

Resumindo, os jovens são mais receptíveis a novos conhecimentos para o amadurecimento mental, enquanto os velhos são praticamente estáticos. Veja tanto os velhos quanto os novos têm capacidades intelectuais iguais, isto é, se um jovem pode ser inteligente o bastante para solucionar problemas, os velhos também podem. Imagine uma função que cresce exponencialmente nos primeiros 15 anos de vida e depois vai decrescendo vagarosamente numa função linear.

Então passamos a acreditar em mitos, histórias pra boi dormir, pseudociências, em que o pastor falou, em que um grupo de babysister de cabra escreveram a 600 AEC. Pelos fatores de tradição e aprendizado boca a boca e por responder satisfatoriamente questões complexas com justificativas simples.

Por que por mais que sejamos inteligentes, preferimos respostas mais simples e com finalidade do que respostas complexas com finalidade alguma. Esse é o motivo que fatos científicos  não predomina na mente humana, pois a pergunta para qual respondem não é um “Por quê?” mas sim um “Como?”.

Então uma qualidade particular da sobrevivência se torna instrumento para disseminar falácias e crendices. Se todos analisassem racionalmente os fatos, e não se enganassem por coisas sem menor base verídica. Pra tudo tem solução e é por isso que temos a capacidade para nos re-educar e mudar. Não somos estáticos, mas, como falei acima, as mudanças são difíceis e necessitam um grande estudo e conhecimento. E assim caminha a humanidade.

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