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Sobre o Poder: Justiça, uma invenção humana

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O nosso senso de justiça sempre foi presente nos primórdios de nossa história, naquele tempo a organização era tribal ou familiar, e muitos conflitos eram resolvidos usando a ‘lei de talião‘. Pra quem não sabe, é uma justiça punitiva espelhada: “olho por olho, dente por dente”. Assim, criminosos eram punidos com as próprias mãos dos que tinham interesse em punir, e de certa maneira isso não era muito organizado e não faltava gente morrendo.

Com o surgimento das grandes civilizações e impérios, o Estado surgiu para controlar as atividades humanas, como também organizar a matança do povo (estavam de saco cheio com pequenas guerrinhas de vizinhos e resolveram acabar com a festa). O primeiro  conjunto de leis mais antigo conhecido foi o Código de Hamurabi, surgiu na Mesopotâmia por volta de 1790 AEC, era basicamente um código civil e penal. E depois dele muitos outros povos copiaram como os Hebreus, por exemplo.

Queria ter inventado essa

Depois na antiga Grécia, com o advento dos filósofos, a justiça ganhou uma nova roupagem, não era mais um modo de controlar o povo, mas também de promover a igualdade entre as pessoas (pelo menos os que não eram escravos ou coisa do tipo). Isso se deve ao pensamento do bem-comum, o Estado com papel de prover o bem estar da população mediante as leis igualitárias que beneficiasse a todos e não algumas classes ou pessoas distintivamente, escritas na obra República. Mas naquele tempo ninguém levava os gregos sofistas muito a sério, então essa justiça foi colocada na geladeira e ganhou força com a ascensão de Roma (A partir daqui a justiça é representada como uma mulher de olhos vendados, segurando uma balança e uma espada. Devo confessar que é bonita a simbologia, e também é um fetiche bem estranho por sinal).  E de lá para cá a coisa se aperfeiçoou e hoje temos essa avançadíssima lei que nos coordena para vivermos em harmonia, paz e amor [sarcasmo/].

Uma obra muito interessante sobre a Justiça está no livro Leviatã de Thomas Hobbes. Como princípio o autor diz que os seres humanos são egoístas por natureza (oh rly?) e que o Estado tem que intervir nas relações humanas por meio de um contrato social (Quer ser brasileiro? Assine aqui, aqui e aqui). Assim as pessoas concordariam em viver em paz em contrapartida deveriam possuir obrigações e serem obedientes as regras vigentes e podendo ser punidas por um “Leviatã”, que no caso seria o próprio Estado com representação de alguém ou de algum grupo de pessoas. Como podem ver, é isso que acontece em qualquer estado de direito, com a exceção que você está inserido no contrato muito antes de nascer (muito over Power isso). A princípio o contrato deveria ser por meio da associação, não pela submissão.

Então o que é justiça, o que é justo? Na minha humilde opinião isso é apenas uma ilusão. A justiça ela pode existir em alguns pontos, mas em outros é inexistente – a justiça se torna injusta dessa maneira. O que é mais justo: Uma pessoa que tem dinheiro pra pagar uma ótima educação decoreba pra passar num vestibular de medicina, somente por ser altamente concorrido, sem ter o mínimo de vontade de fazer o que a medicina pede pra você fazer, que no caso seria ajudar as pessoas de verdade, não somente ter uma clínica e cuidar de doença de gente rica que pode pagar por isso; enquanto uma pessoa que não teve tanto recurso para decorar a matéria da escola, mas se sente profundamente disposta a ajudar as pessoas. Qual a justiça disso? Justiça por mérito? Mérito de ter dinheiro, tempo, e capacidade intelectual pra decorar várias disciplinas? Em uma educação falha que da brecha apenas pra quem vantagem monetária sobre a outra?

Disse tudo

Uma imagem fala mais do que mil palavras, principalmente quando tem palavras nelas

A reflexão acima é apenas um de milhares e milhares de casos que acontecem dia a dia, a justiça Platão e Sócrates não existe. É uma utopia que foi violentada com o passar dos anos até chegar a um conjunto de normas, tão extensas, que é praticamente impossível alguém sabe de cor tudo que há nela. Leis deviam ser simples, até porque, sendo realista, o povo é burro, ninguém lê livros ou escreve nada, somente assistem a TV e pronto! Pra que vida melhor? Então pra que complicar tudo? Simplificação de leis é um passo importante, exceção da exceção da exceção às vezes cansa. Criminosos são libertos enquanto o povo é condenado a uma prisão de insegurança, medo e revolta.

E ainda tem a anestesia mental de outro tipo de justiça: a divina. O negócio é tão brabo que só resta ter esperanças em algo sobrenatural pra dar um alívio na cabeça dessa gente perturbada. Essa anestesia deixa a vida melhor? Deixa sim, mas também deixam as pessoas acomodadas, o que é natural, à tendência é estar confortável com o menor esforço possível.

Mais uma vez, vemos o poder caindo sobre as pessoas e ligar pra justiça ou igualdade. A tendência do egoísmo humano é que sempre acaba com as boas ideias até então criadas.

dois pesos, duas medidas

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7 Comentários

  1. May disse:
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    Acho engraçado qndo aparece uma pessoa que está com raiva ou inveja de alguém aí diz: “Vou colocar nas mãos de Deus,a justiça será feita.”Seja lá por quais motivos…é tão noob.

    Tudo estaria muito justo pra mim se eu tivesse ganho aqueles 140 milhões. Pronto, iria sair com venda nos olhos e peixeira na mão. hehehe…mas só acertei 3 números =/. kkk

  2. Juliana Ponte disse:
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    História pura, hehehe.
    Gostei!

    … nós já estamos tão desiludidos com esse mundo de coisas que temos que suportar, que costumamos pensar que nada mais existe.
    Não existe Deus, não existe amor, esperança, justiça e bla bla bla.

    Na verdade, tudo existe… o segredo é perceber de que forma e por quem esses conceitos são tratados.
    O conceito de Deus não existe pra mim, mas existe pra milhares de outras pessoas… É por amor à ele que alguns loucos vivem.
    A mesma esperança que alguem já perdeu, é o que faz outro alguém ainda permanecer vivo.
    É assim que funciona com a noção de Justiça. Ela existe, mas não foi feita pra todo mundo e apenas alguns privilegiados a conhecem e conhecerão.
    Desde o código de hamurabi aí, é que a justiça não é a mesma pra todo mundo, e é aí que nascem as injustiças… (oh rly?) ehehe
    Nesse tempo, assim como hj, a sentença variava de acordo com a classe que o indivíduo pertencia, tanto a classe do ofensor como do ofendido influenciava a severidade da pena. A morte de um Nobre senhor, por exemplo, seria mais bem castigada do que a morte de um simples escravo. Era algo do tipo “olho por lente, dente por chapa…” Assim, a justiça exitia apenas para classe mais abastada.

    E hoje a merda continua a mesma, a justiça é cega, surda, muda e mascarada.
    Mas o homem precisa se basear em alguma coisa pra manter a ordem no cabaré.

    • Kleber disse:
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      Desde o código de hamurabi aí, é que a justiça não é a mesma pra todo mundo, e é aí que nascem as injustiças

      Quis dizer que a justiça nunca existiu de fato, nem antes nem depois.

      Mas o homem precisa se basear em alguma coisa pra manter a ordem no cabaré.
      Ai que está. A ordem no cabaré é somente uma forma de controle beseado em um contrato social de harmonia e paz entre homens, muito lindo, mas com o egoísmo latente do ser humano, amplificado por nosso sistema econômico e cultural, a ordem é apenas uma tentativa fútil de paz.
      Poderia estar pior? Poderia. Mas quem resolve meio problema não resolve problema algum.

  3. rafael Gendo disse:
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    Dinhero = Poder :twisted:

  4. Arnold disse:
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    Eu separaria a justiça em duas partes: a do bom senso e a empregada legitimamente.
    A segunda definição, a justiça propriamente dita como o emprego de uma força maior, pode ser vista já nos primórdios das civilizações sumérias.

    Com o aumento da população, e subsequente necessidade da organização da civilização que nascia, as autoridades(e o eram também por consequência)colocaram em prática as primeiras leis existentes. Das primeiras tábuas de barro, surgiu a escrita, e por ironia do destino, inventada para que o estado tivesse maior poder.

    Muitos anos depois, o rei babilônio Hamurabi criou o famoso princípio do “olho-por-olho, dente por dente”. Todos os habitantes da babilônia tinham que obedecer a esse conjunto de leis. Se uma pessoa furasse o olho da outra, o governo vazaria o olho dela. Mas as leis só se aplicavam aos pobres. Se um nobre cegasse um camponês, ele só teria que pagar uma multa. Ou seja, nem mudou muito de lá pra cá.

    Quanto à justiça, democracia, a política e todas as variantes do departamento de de entretenimento do estado, eu economizo palavras: são porra nenhuma.

    E acho interessante este pensamento, e concordo. Nossa constituição, que não é nossa e nem feita por nós, é gigantescamente complexa e cheia de buracos, exceções, pontos de vista divergentes, a desgraça de nós em palavras. Supondo que eu concorde que devam existir leis, eu acho que elas realmente deveriam ser muito, muito, muito mais simples, tanto a nível de quantidade quanto a nível de linguagem – ela é feita pra ser ininteligível. E acho ainda que a constituição deveria ser ensinada nas escolas, pra todo mundo “se ver obrigado” a aprendê-la, por mais que pareça uma ofensa à inteligencia dizer que alguém tem que ser obrigado a entender aquilo que manda nela.

    E a religião, como diria Cioran:

    “Deus é um desespero que começa onde todos os outros acabam”

    Só nasce a fuga quando a razão para ela parece ao mesmo tempo inevitável e fora de nossa vontade, ao mesmo tempo que único cunho dela, da razão inexplicável.

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