“Cerca de 830 mil visitantes devem vir ao Ceará, via Fortaleza, nesta alta estação gerando uma renda de R$ 2,1 bilhões de reais na economia do Estado. A estimativa da Secretaria do Turismo do Estado (Setur)prevê um incremento de 14% na demanda turística, se comparada ao mesmo período de 2008, quando aproximadamente 728 mil turistas desembarcaram na Capital cearense. A ocupação média da rede hoteleira da cidade deve ficar em torno de 80 %. ” (Jornal O Povo, Janeiro, 2010)
É tempo de Alta estação no Ceará. E, em Fortaleza, começam as operações de emergência, uma espécie de maquiamento turístico onde se aplica aquela famosa máxima “pra inglês ver”.
A preocupação se torna maior nessa época porque a divulgação de práticas criminosas contra turistas nos meios de comunicação compromete anos de trabalho na promoção de um destino, além das perdas exorbitantes, pois as atividades de promoção envolvem custos elevados: os impactos negativos advindos do declínio da demanda. Os meios de comunicação têm bastante influência no processo de formação das imagens nas sociedades globalizadas, porém a imprensa em especial não pode ser responsabilizada pela existência dos problemas sociais.
Nessa época, as medidas de segurança pública da cidade de Fortaleza estendem-se aos turistas e há, até mesmo, órgãos da Segurança Pública especializados para atuarem na área do Turismo, como a PMTUR – que representa ações de cunho repressivo e preventivo nas áreas turísticas. Dentre as medidas preventivas, sobressaem-se principalmente o radio-patrulhamento através de viaturas com computadores de bordo e o policiamento ostensivo a pé e a fixação de cabines e trailers nas principais praças da Cidade.
“O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública, lança nesta quarta-feira, 2, na Praça Dragão do Mar, a Operaçao Alta Estação, que prosseguirá até o dia 8 de março, intensificando as ações de policiamento no estado. Cerca de 2.400 homens priorizarão as áreas mais procuradas nesta época do ano por turistas e cearenses, o que significa um aumento de 40% quando comparado com a Operaçao Alta Estaçao do ano passado.” (Jotnal O Povo, Dezembro, 2009)
Observa-se que a existência de projetos voltados para reforçar principalmente a segurança da área central no período da alta estação e do natal são vistas como medidas importantes, uma vez que nesse período o efetivo policial é bem maior. Contudo, salienta-se que não é o aspecto quantitativo que garante a segurança do turista. A impressão de que o turista está seguro porque o número de policiais nas ruas cresceu é tão ilusória quanto achar que a solução para o problema da violência e da criminalidade está no aumento do efetivo policial de uma comunidade. As iniciativas de buscar alternativas para amenizar as condições de miséria e outros problemas de base social ainda continuam sendo a melhor saída para diminuir os impactos da violência, ou seja, adotar medidas preventivas junto à raiz do problema.
Sabemos que o Centro-Histórico é uma área representativa de séculos da História de Fortaleza, concentrando importantes bens históricos relativamente próximos entre si, o que permite aos fortalezenses e turistas uma caminhada cultural entre tais atrativos. A área central também destaca-se pela atividade comercial. É nela que estão situados o Mercado Central, a famosa rua Monsenhor Tabosa e outros estabelecimentos com forte apelo comercial, principalmente para os turistas. Porém, é na malha central de Fortaleza que estão concentrados os maiores índices de violência e criminalidade, pois como todo grande centro urbano, a aglomeração de pessoas é constante, assim como também são constantes os problemas de base social.
O Centro de Fortaleza é apontado como a área mais violenta da cidade dentro da estatística criminal, registrando o maior número de ocorrências. Isso porque além da Delegacia Central (34° distrito policial) servir como referência para toda a cidade, a área possui uma grande população flutuante, ou seja, as pessoas que vão ao Centro trabalhar ou fazer compras. Dentre os delitos mais comuns na área estão os furtos, os assaltos, roubos de carros, arrombamentos de lojas e de depósitos, a prostituição adulta e infanto-juvenil, além do tráfico e do consumo de drogas.
Dessa maneira, não apenas a população local fica exposta à prática criminosa, como também os turistas ficam vulneráveis, podendo comprometer sua integridade física e psíquica e tornar o seu passeio uma experiência desagradável. Na verdade, são os turistas os alvos fáceis para os criminosos uma vez que não conhecem a periculosidade local, e também por, na maioria das vezes, não buscarem ou receberem informações sobre a insegurança de determinados pontos em que a marginalidade é predominante.
Mesmo com esse agravante, o planejamento da Segurança Pública não pode estar voltado apenas para o turista, não há esse negócio de priorizar uma área, ou um determinado período do ano. Priorizar áreas e estações por que, cara pálida? A Violência predomina durantes os 12 meses do ano.
A imagem de insegurança de uma destinação compromete o setor de Turismo, bem como coloca em dúvida a Política de Segurança Turística; e as capitais turísticas, também áreas que concentram os problemas de base social, precisam disponibilizar o aparato mínimo de segurança aos seus visitantes, mas não podendo esquecer da população local. Senão, de nada adiantará todo essa operação “empata roubo”.
Essas medidas emergenciais são falhas e, como o próprio nome diz, é uma maneira de resolver o problema por tempo determinado. Pois, apesar do turista ter respaldo na legislação jurídica brasileira e de ter sua integridade física e psíquica envolvida nos planos de operação de importantes órgãos da Segurança Pública, não se pode falar em uma Política de Segurança Turística do estado do Ceará, pois as medidas e planos de ação adotados não constituem num modelo sistêmico de ação que envolva a prevenção, a repressão e parcerias com o Trade turístico, um tripé necessário em qualquer Política de Segurança Turística. As medidas adotadas são, de certa maneira, medidas desenvolvidas de forma isolada e que, em certas ocasiões, são planejadas junto ao Trade Turístico, principalmente no período de alta estação.
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Pois é, mas veja só… Turista = Dinheiro, População Carente e Marginalizada = Despesa.
Adivinha quem eles vão priorizar?