A Câmara deve votar nessa noite de terça-feira, nove destaques ao projeto Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de políticos com condenação por crimes graves. O projeto é de iniciativa pública, porque o povo as vezes tenta exercer um bom papel na política. Mas, como tudo que é bom acaba editado, já estão fazendo várias emendas e exceções para entrar em discussão e afrouxar o nó no pescoço da galera da corrupção.
O projeto foi apresentado à Câmara em setembro do ano passado e estabelecia que os condenados em primeira instância, por crimes graves, não teriam garantido o registro eleitoral para concorrer. Apesar do grande apelo popular da proposta, os deputados reagiram (ninguém sabe o motivo né!) e adiaram por várias vezes a análise e a votação do projeto. O plenário já rejeitou, na semana passada, três emendas e preservou o texto do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP). O texto amplia os casos de inelegibilidade, unifica em oito anos o período em que o condenado não poderá se candidatar e torna inelegíveis aqueles condenados por decisão de colegiado da Justiça, prevê a pena também para os crimes eleitorais que sejam punidos com a cassação do registro do candidato ou do diploma daquele já eleito. Entre os não votados está um do PMDB que pode retirar do texto a inelegibilidade provocada por decisão de colegiado nos casos de corrupção eleitoral, compra de votos, doação ou uso ilícito de recursos de campanha e conduta proibida a agentes públicos em campanhas. Eles querem praticamente anular os efeitos da lei pra maioria dos candidatos.
O PMDB está fazendo o dever de casa no que se diz respeito à sujeira política. Uma sacanagem falta de vergonha na cara mesmo achar que corrupção eleitoral e uso ilícito de recusos de campanha não são crimes graves. Quer dizer, o mesmo que dizer: “Pode enrolar e roubar o povo como quiser!Isso é legal.” É quase tão ridículo quanto a Lei Maluf, que disse ter votado a favor do projeto, mais uma tentativa FAIL de se fazer justiça. Vamos ver no que vai dar.
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