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Hello, cheerleaders do meu Brasil,
hoje venho aqui escrever sobre uma paixão minha, ou melhor
a respeito de uma Paixão nossa, A Paixão Nacional: O polêmico e excitante Futebol.
Nossa sim, aquele que nunca parou em frente a TV, pelo menos por alguns minutos, para prestigiar aquele gol escândalo, que atire a primeira bola.
Mas não fiquem ouriçadas, não venho falar do jogo em si, de seus resultados, regras, loucuras e afins.
Quero falar de um futebol fora das quatro linhas do campo, em um contexto social muito mais amplo;
Um futebol que é prioridade de vida para a maioria da população de um país inteiro.Um fenômeno que consegue ser, para muitos, mais importante que as dívidas e a família, mais importante que educação, saúde e emprego.
Mais relevante que uma eleição presidencial.
Estado de alienação que ilustra bem o que quero dizer.
O futebol enquanto esporte e opção de lazer é relevantemente saudável e prazeroso. Agora, a relação doentia que o brasileiro tem com ele é que o torna um problema.
Quantas vezes já nos deparamos com as seguintes afirmações:
“Faltei aula pra ver meu timão jogar…” (Eu mesma, morro de dizer isso)
“Deixei minha mulher por causa do meu time…” (Coooooorno!!)
“Já briguei com o mundo por causa de futebol…” (Normal… huehueue)
“Mato e morro pelo meu time…” (Louco)
“Futebol é religião…” (Pelo menos a bola é real, hein?)
Futebol e religião – Esse é um dos primeiros pontos a serem analisados – esta analogia barata, onde o torcedor é visto como um religioso fanático, incrivelmente alienado pelas situações que lhe são impostas e facilmente manuzeáveis pelos responsáveis do seu ‘vício’. É aqui que se encontram os torcedores mais doentes, aqueles capazes de venderem a alma pra ver seu time campeão, funcionando com um dízimo para a entrada no céu. É a forma mais preocupante, ao meu ver.
Seguidores fiéis da religião Corinthiana.
Quando tento relacionar futebol e religião, me firmo na idéia de que o ser humano está sempre procurando alguma razão para existir, algo no que acreditar, que lhes dêem aquela sensação de preenchimento, de saciedade relativa, estando sempre à procura de um salvador e assim são explorados pelos espertalhões. Procurando fugir de diferentes maneiras deste ‘vazio’, as pessoas veem na sociedade vários mecanismos de fuga: Deus, drogas, religião… (isso não é redundância, povo maldoso. kkkk) Enfim, acredito que o futebol funcione como um ‘ópio’ para grande parte de nossa brava gente brasileira… E o time funcione como um Deus. É onde a pessoa compensa as desigualdades sociais, onde a galera sacia a fome, extravaza a tensão…
Quem me conhece, sabe que sou uma viciada por futebol e consequente louca pelos meus dois times. Portanto, não é minha intenção deturpar a imagem do nosso querido bate-bola; muito pelo contrário, eu, no papel de admiradora desse esporte, me sinto na obrigação de falar sobre esse fenômeno que afeta diretamente a vida de milhões e milhões de pessoas.
Torcer é bom demais. É saudável ficar rouca com os gritos de gol e depois comemorar cantando músicas de baixo nível “Cearagay chuuupa, pam pam pam”, proferindo ódio mortal ao eterno arquiinimigo. Isso é o bom do futebol: a oportunidade de interação, das brincadeiras, da felicidade, cumplicidade com o torcedor ao lado, da festa, do espetáculo da bola…
Leãããão, nós gostamos de voceeeeÊ!
Mas parou por aí, não comecem a partir para agressão física e pessoal que eu pego o beco. Sempre que vejo gente morrendo por conta de Torcida Organizada, morro de vergonha por saber que participei de tal evento, e que, mesmo indiretamente, contribui com toda aquela palhaçada sanguinária; porque agressão física é o fim da civilidade, é retroceder a uma fase histórica em que a fala não existia, em que a comunicação era através da força bruta. Pra que transformar uma festa tão linda em atos irracionais?
O fanatismo acarreta, em certa medida, efeitos perversos.
É necessário compreender que o futebol é uma forma de encontro social, que move as relações sociais, as interações sociais e, por isso, constitui uma forma de contato e de comunicação social e humana, independentemente das classes sociais dos torcedores… Futebol, para nós pobres torcedores, é diversão E SÓ.
O aspecto positivo do futebol é esse: a idéia da confraternização, da festa, da admiração da forma da arte e técnica com a bola. Mas, atualmente, o futebol deixou de ser só isso, agora futebol é sinônimo de riqueza – um exagero de marcas e patrocinadores, vendas de jogadores e técnicos… A indústria do milhão, onde o pobre matutinho do interior do Brasil vê na Europa e no futebol a sua chance de vencer na vida.
Mais uma vez destaco: A culpa não é do nosso pobre e inocente bate-vola. A ligação é humana, não é futebolística. O futebol não passa de uma marca vendida, que usa figuras humanas.que funcionam como produtos a serem negociados e manipulados.
Julgar o futebol seria algo tão simplista quanto dizer que a energia atômica é responsável pelos desastres causados pelas bombas fabricadas dela, ou como diria uma amigo meu acolá “dizer que ele matou alguém só porque disse que apertando gatilho de uma arma, ela dispara…”.
O problema está no ser humano, só pra varias, nas ‘boas e más’ emoções associadas a tal atividade.
Eu amo assistir à partidas de futebol, mas com o olhar de quem sente prazer com a arte realizada no campo, de apreciar o espetáculo da bola, de ver o meu time jogar, vibrar com o lance dos jogadores, enfim apreciar o velho e bom futebol. O sentimento que me desperta, no momento de um gol, é quase orgásmico.
Mas também digo que outro sentimento é despertado, pelo fato de ver a face competitiva do fu
tebol que por vezes pode ser um sentimento de tristeza ou raiva, por não ter alcançado o prazer final.
Queda do Corinthians (02 de dezembro de 2007)
É aí que a coisa aperta, na hora da derrota, quem não tem uma mente saudável tende a querer destruir tudo que lhe casou aquela dor… resultando muitas vezes em violência… Importante seria saber lider com esses sentimentos antagônicos, saber perder pode parecer papo hipócrita, e o é, mas aceitar a derrota nos mantém vivos na maioria das ocasiões, hehehe.
É isso aí, povo! O futebol traz em si essa dualidade: pode ser ao mesmo tempo prazeroso e triste; libertário e alienante. Pode significar oportunidades aos excluídos, mas pode também limitá-los. Cabe a nós, pobres torcedores, saber diferenciar a torcida do ato ridículo. E ter sempre em mente, que o objetivo maior nisso tudo é a diversão.
E já que o Brasil é considerado o país do Futebol, não devemos ter vergonha de dizer que somos SIM bons de bola, mas não deixar que sejamos ótimos apenas nisso; Que o nosso grande desafio também seja passarmos a ser bons em outras áreas também.
♫ A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda, é uma partida de futebol… ♪
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